Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira, 20, o uso de Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) moderada e grave para pessoas com obesidade.
O medicamento, aprovado anteriormente para diabetes tipo 2 e obesidade, é a primeira opção farmacológica aprovada pela agência para AOS, doença crônica que afeta cerca de 50 milhões de brasileiros, de acordo com uma estimativa publicada em 2019 na revista The Lancet Respiratory Medicine.
Edilson Zancanella, coordenador do Conselho de Administração da Academia Brasileira do Sono (ABS), explica que a apneia é uma interrupção do fluxo respiratório enquanto dormimos. No caso da apneia obstrutiva, ela acontece pelo estreitamento na região da faringe por conta da mudança de posição da língua e de seu arcabouço estrutural quando a pessoa deita.
“Durante o período em que a pessoa fica sem respirar, há uma queda significativa na oxigenação do organismo. Para o corpo, isso é algo extremamente danoso porque a falta de oxigênio faz com que ele não funcione bem. As células deixam de atuar de forma adequada, o cérebro também passa a não funcionar corretamente, e vários alarmes são disparados no organismo para que a gente volte a respirar”, detalhou Zancanella, que também é membro do Conselho de Governo da Sociedade Mundial de Sono.
Historicamente, o tratamento da AOS tem se concentrado no suporte mecânico positivo durante o sono, incluindo terapia com pressão positiva nas vias aéreas (CPAP), fonoterapia e cirurgias.
A decisão de aprovar o medicamento para a condição foi baseada nos resultados do estudo clínico de fase 3 SURMOUNT-OSA, que avaliou o uso da tirzepatida tanto em pacientes que utilizavam aparelhos de CPAP quanto naqueles que não usavam.










