Caminhoneiros ameaçam greve por alta do diesel; governo anuncia medidas para evitar paralisação

O movimento para deflagrar uma greve de caminhoneiros ganhou força nos últimos dias, em meio à alta do diesel e à avaliação de que as medidas adotadas pelo governo federal não tiveram efeito prático para a categoria. Lideranças do setor afirmam que a mobilização já foi deliberada em assembleias e pode se concretizar no curto prazo, com adesão de motoristas autônomos e também de profissionais contratados por transportadoras.

À frente do movimento, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirma que a paralisação deixou de ser uma hipótese distante. “Vai ter greve. Se for preciso, vamos fechar rodovias. A categoria já deliberou por isso e estamos articulando nacionalmente com outros grupos.”

A categoria protesta principalmente contra os sucessivos aumentos no preço do óleo diesel e o desrespeito ao piso mínimo do frete. O piso do frete é um valor obrigatório que as empresas devem pagar pelo transporte para garantir que o motorista cubra seus custos e tenha lucro. O preço do diesel subiu acompanhando o valor do petróleo no mercado mundial. Isso aconteceu devido ao início de um conflito entre Estados Unidos e Irã.

O governo anunciou que a fiscalização da tabela de fretes será eletrônica e mais rigorosa, podendo impedir empresas infratoras de contratar transportes. Além disso, o presidente Lula e o ministro Fernando Haddad anunciaram a isenção de impostos federais (PIS e Cofins) sobre o diesel e criaram subsídios para segurar os preços. Também há um esforço da Polícia Federal para investigar possíveis aumentos abusivos nos postos.

Até o momento, sindicatos de Santa Catarina, como o de Navegantes e associações em Itajaí, já confirmaram que pretendem cruzar os braços. Representantes da Baixada Santista, em São Paulo, e a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também lideram a mobilização. A decisão final sobre a extensão nacional da paralisação depende da assembleia geral marcada para esta quinta-feira.

Ana Lídia Barboza

Ceo e Reporter

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