Os deputados estaduais Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes, todos do PSB, protocolaram, nesta quarta-feira (19), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause (PSD) e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti. No documento, os parlamentares apontam possíveis crimes de responsabilidade, atos lesivos ao patrimônio público e supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos.
A representação tem como um dos principais pontos a relação entre a vice-governadora e a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro LTDA, unidade que, segundo os deputados, tem como principal sócio e administrador Jorge Branco, marido de Priscila Krause.
De acordo com denúncias dos parlamentares, quando Priscila assumiu interinamente o comando do Governo de Pernambuco, entre 2024 e 2025, foram autorizados cerca de R$ 200 milhões em orçamento que, segundo os parlamentares, também alcançariam a unidade de saúde administrada pelo marido dela. Os deputados sustentam que a situação exige investigação sobre eventual conflito de interesses. A assessoria de imprensa da vice-governadora foi procurada, mas ainda não se manifestou.
Auditoria e próximos passos
Por nota, os deputados salientam que a solicitação é baseada no resultado da auditoria realizada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), vinculado ao Ministério da Saúde, que identificou inconsistências na prestação de serviços de oncologia, UTI e hemodiálise da Casa de Saúde contratados pela SES-PE.
“Na última semana, auditoria federal apontou irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nsa. do Perpétuo Socorro LTDA com graves prejuízos aos cofres públicos, principalmente pelo apontamento de fraudes em tratamentos de câncer e de hemodiálise”, diz trecho do comunicado.
Em entrevista ao Diario. Romero Albuquerque negou motivações políticas e salientou que a Alepe vem acompanhando o caso envolvendo a unidade de saúde desde 2024. “Seria uma motivação política se, antes da auditoria que a gente solicitou, a gente tivesse entrado com o pedido de impeachment; era um crime de responsabilidade contra a vice-governadora.”
À reportagem, o parlamentar explica que, após essa primeira etapa protocolada em regime de prioridade, o presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), decide se dará prosseguimento ao processo. Em caso de aceitação, o pedido deve seguir para a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Alepe, que analisará o caso, e, por último, chegará ao Plenário, que votará pela abertura do procedimento contra as envolvidas.
“A Alepe conta com 49 deputados. Logo, são necessários dois terços, ou seja, 33 votos, para a abertura do processo de impeachment contra a vice-governadora e a secretária de saúde”, acrescentou o parlamentar.
Relembre o caso
Na última semana, o Ministério da Saúde, por meio do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), divulgou o resultado da auditoria dos serviços prestados pela Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a partir de contratos firmados com a Secretaria Estadual de Saúde.
No documento foram apontadas inconsistências na prestação de serviços de oncologia, UTI e hemodiálise. À época, a secretaria informou que iria recorrer à Justiça e solicitar a revisão do resultado do relatório final da auditoria. Os auditores analisaram a aplicação de R$ 55,8 milhões em recursos federais repassados pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) entre janeiro de 2023 e julho de 2025 para a prestação de serviços de média e alta complexidade na unidade hospitalar.
No setor de oncologia, das 60 autorizações de internação analisadas, 33 apresentaram cobranças incompatíveis com as informações registradas nos prontuários. Além disso, foram apontadas inconsistências em 113 autorizações referentes a procedimentos sequenciais.
Na UTI, o DenaSUS identificou uma quantidade inferior de leitos cadastrados pela unidade de saúde. Segundo a Casa de Saúde, o local conta com 31 leitos de UTI adulta, sendo 11 destinados ao SUS. Contudo, a auditoria afirma que há apenas oito leitos de UTI adulta e 10 destinados a casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Procurada pelo Diário, na época, a Casa de Saúde salientou que apresentará os esclarecimentos e documentações, pelas vias administrativas cabíveis, que comprovem os procedimentos realizados e fundamentem a posição da instituição em relação aos pontos questionados pelos auditores.
fonte: Diario de Pernambuco










