Produtores rurais de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista têm intensificado a mobilização contra o modelo atual do Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Tatu-bola e cobram mudanças na categoria da área de preservação. O grupo defende que a unidade deixe de ser de proteção integral e passe a ser uma Área de Proteção Ambiental (APA), o que permitiria a permanência e atividades produtivas dos moradores.
Segundo os produtores, a criação da reserva ocorreu sem diálogo com as comunidades locais e considerou a região como desabitada. Eles afirmam que há mais de mil propriedades na área atingida, com famílias que vivem e trabalham no local há anos.
“Foi feito um estudo de gabinete, sem ouvir o agricultor. Colocaram como se aqui não tivesse ninguém, mas tem gente, tem produção, tem vida”, relatou um dos produtores atingidos.
A mobilização ganhou força com a criação da Associação Comunitária dos Campesinos Afetados pela Reserva de Vida Silvestre Tatu-bola (ASCCAMP/RVS), fundada em 2023, no município de Lagoa Grande, formada pelos próprios produtores, que passou a representar oficialmente os interesses das famílias impactadas. A organização surgiu a partir de reuniões e debates públicos realizados na região, diante da necessidade de os agricultores terem voz nas decisões sobre o futuro da área. Desde então, o grupo tem participado de audiências, dialogado com órgãos ambientais e buscado apoio político para a revisão do modelo da reserva.
Os relatos apontam que o formato atual da unidade impõe uma série de restrições. “Hoje não pode fazer nada. Não pode produzir, não pode investir, não tem acesso a energia, financiamento ou programas do governo”, afirmou José Adenilson, presidente da Asccamp. Além das limitações, ele ainda destacou os prejuízos financeiros sofridos pelos agricultores. “Uma propriedade que valia mais de um milhão hoje não tem quem compre por uma fração desse valor”, disse.
A principal reivindicação é a mudança da categoria da unidade para APA, considerada mais flexível. “A APA permite convivência entre preservação e produção. O homem continua lá, trabalhando, mas com regras”, explicou Nilberto Ribeiro, tesoureiro da Asccamp.
O tema já foi discutido em audiências públicas e, segundo os produtores, conta com apoio de parlamentares estaduais. A expectativa agora é por uma definição do Governo de Pernambuco sobre o andamento da proposta. Sem avanço, o grupo promete intensificar a mobilização. De acordo com os produtores, há previsão de protesto no próximo sábado (2/05), com possibilidade de interdição da Ponte Presidente Dutra. “Se não resolver, vamos fechar a ponte. Agora é resolver ou resolver”, afirmaram.
Diante da situação, o espaço segue aberto para um posicionamento por parte dos orgãos envolvidos.
Refúgio de Vida Silvestre Tatu-bola
O Refúgio de Vida Silvestre Tatu-bola foi criado em março de 2015, por meio de decreto estadual, e abrange uma área de mais de 110 mil hectares nos três municípios do Sertão. A unidade é considerada a maior área de conservação já instituída pelo Estado de Pernambuco e está localizada no bioma Caatinga, exclusivo do Brasil.
O Refúgio tem como principal objetivo preservar áreas da Caatinga e proteger espécies ameaçadas de extinção, como o tatu-bola-do-Nordeste (Tolypeutes tricinctus), animal endêmico do país. A espécie sofre principalmente com a caça e a destruição do seu habitat, o que a colocou na lista oficial de animais ameaçados de extinção no Brasil, além de constar como vulnerável em classificações internacionais.
Além da proteção da fauna, a unidade também busca incentivar a pesquisa científica, promover educação ambiental e desenvolver ações voltadas à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais, conciliando preservação com a realidade do semiárido. as informações são do blog de Carlos Britto








