A Justiça de Pernambuco negou o pedido de prisão domiciliar para Jorge Beltrão Negromonte, de 64 anos, condenado no caso dos “Canibais de Garanhuns”. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (23) pelo juiz Evandro de Melo Cabral, da Vara de Execução Penal da Capital.
Mesmo com problemas de saúde, como cegueira bilateral irreversível causada por glaucoma e histórico psiquiátrico, o magistrado entendeu que não há justificativa para conceder o benefício.
Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco, um relatório do Presídio Policial Penal Leonardo Lago, no Complexo do Curado, aponta que o detento recebe assistência completa, com acompanhamento médico, psicológico e psiquiátrico, uso de medicamentos e acesso ao SUS quando necessário.
Com base nesse parecer e na posição contrária do Ministério Público, a Justiça decidiu manter a prisão. O juiz determinou que o acompanhamento de saúde continue, com possibilidade de reavaliação caso o quadro piore.
Jorge Beltrão ganhou notoriedade em 2012, ao ser preso com Isabel Cristina Pires e Bruna Cristina Oliveira, em Garanhuns. O trio confessou assassinatos de mulheres atraídas com falsas promessas de emprego.
As vítimas eram mortas e esquartejadas, e parte dos corpos chegou a ser consumida pelos criminosos. Restos mortais também foram encontrados em imóveis ligados ao grupo.
A polícia confirmou ao menos três mortes, incluindo as de Jéssica Camila, Alexandra Falcão e Giselly Helena. No caso de Jéssica, desaparecida aos 17 anos, exames de DNA só confirmaram a vítima após a prisão do grupo.
Os acusados alegaram fazer parte de uma seita, mas o Ministério Público afirmou que eles tinham plena consciência dos crimes. Jorge foi condenado a mais de 70 anos de prisão, e as duas comparsas também cumprem pena em regime fechado.
Diário de Pernambuco









